eba, lanchinho!!
Monday, March 24, 2008
  Ex-emos migram para a tribo adolescente ‘from UK’

Cansados do preconceito, jovens criam nova moda inspirada no Reino Unido.
Cabelão armado e popularidade na internet são preocupações desta turma.


Alvos preferenciais de chacotas, adolescentes adeptos do estilo emo encontraram uma forma criativa – ainda que importada – de escapar do preconceito. Ex-emos jogaram as franjonas de lado, apostaram no megahair e migraram para uma nova tribo que está sendo chamada de “from UK”.

Inspirada nos jovens descolados do Reino Unido, essa turma é mais preocupada em manter o visual e a popularidade na internet do que se entristecer com rock dor-de-cotovelo.

Não à toa, a moda dos pós-emos não passa despercebida. Nos cabelos, em geral tingidos de preto, a franja ainda é um traço marcante. As meninas acrescentam à base superarrepiada apliques ultralisos. Já os rapazes adotam um “mullet” desestruturado, mantido às custas de muita de chapinha – recurso a que eles recorrem sem o menor pudor.

“O meu estilo não chamaria a atenção nas ruas do Reino Unido, mas aqui todo mundo se impressiona”, garante o estudante recém-convertido em “from UK”, Filipo Thomas Carvalho Silva, de 15 anos.


"Emo de luxo"

A novidade ainda não chegou aos salões de beleza, o que não chega a ser um dilema para os “from uk”. “Eu mesma picoto o meu cabelo bem curtinho e depois só vou ao cabeleireiro aplicar o megahair compridão por baixo”, conta a estudante Betina Peixoto Costa, de 14.

E manter a juba em riste não é tarefa das mais fáceis. “Ando com um kit imenso na bolsa: gloss, laquê, escova...”, revela a estudante Isabela Barros Toledo, de 14.

O kit maquiagem das garotas também é farto: o olhar ganha destaque com delineadores, rímel e sombras escuras. Os meninos, ao contrário dos antigos emos, abandonaram o lápis preto que contornava os olhos tristonhos. Entretanto, piercings nos lábios e sobrancelhas e alargadores de orelha são bem vindos.

“Somos vaidosos assumidos. Para ser ‘from UK’ tem que manter o visual impecável”, diz a estudante Maira Rocha Vieira, de 15, que define o estilo “from UK” como “emo de luxo”. “A gente não usa mais colar de bolinhas e casaquinhos de pelúcia. Somos mais glamurosos”, garante.

As calças jeans justíssimas para meninos e meninas segue firme. Mas elas trocaram os tênis quadriculados – um hit entre os emos – por scarpins e botinhas plataformas. “Compro roupas na Galeria Ouro Fino e nas lojas Marisa. O espírito é rocker, mas tem que ser diferenciado de alguma forma”, explica, sem explicar, a estudante Isabela.


Pop

A preocupação excessiva com o visual tem motivo. A turma do “from UK” parece disputar entre si um ranking de popularidade na internet. Em fotologs, perfis e comunidades no Orkut fazem questão de se esbanjar estilo em imagens bem produzidas para angariar o maior número de admiradores possível.

“Tem muita gente ‘paga pau’, que vê o ‘style’ e pede pra ser meu amigo. A gente dá um status para quem não é pop”, diz Betina, que entre os seus 900 amiguinhos de Orkut é conhecida como “Cindy”.

Os “nicks” (apelidos) fazem parte do marketing “from UK” para se tornar uma “celebridade” adolescente no mundinho virtual. Maira é conhecida como “Panda” e Isabela é “Fizzy”.

“Uma menina pediu para ser minha amiga no Orkut e ajudá-la a se transformar em ‘UK’. Estou tentando colaborar, mas ela é tão patricinha...”, desabafa “Fizzy”.

Os mais estilosos já estão capitalizando com a fama virtual. Bonitinhos, descolados para o padrão “from UK” e com uma lista sem fim de amigos – que eles chamam de fãs, sem modéstia –, Filipo, ou melhor, “Lipo”, e sua turma de sete colegas ficaram conhecidos em páginas e comunidades do Orkut como os “41”. “A gente não conta o porquê do nome. É uma forma de manter o mistério e aumentar o bochicho”, diz Filipe Motta, o “Jerry”, de 18.


Matinê

De olho nessa fama virtual, empresários procuram esses brasileirinhos “from UK” para divulgar suas matinês roqueiras – pois, como a turminha é menor de idade, os pais só permitem baladas até 22h. Lá, a tribo gosta de ouvir bandas roqueiras de nome comprido como Funeral For a Friend, Bullet For My Valentine e Bring me the Horizon - tudo descoberta no Myspace.

“Os ‘41’ chegam aqui, dançam, consomem e ainda trazem uma molecada que leu em suas páginas no Orkut que freqüentam minha boate. Por isso pago um cachê para divulgarem as matinês”, revela Bruno França, sócio de uma das mais famosas matinês “from UK”: a festa “Circuito Bubbaloo”, no Alto do Ipiranga.

A balada, aliás, passará a ser chamada de “UK”. “Vamos redecorar, dar um clima londrino para acompanhar a tendência”, promete França.


Paulista com a Consolação

Além das matinês, vias públicas paulistanas foram transformadas em redutos “from UK”. Caso das esquinas das avenidas Paulista e Consolação, e da porta da pizzaria Vitrine, na rua Augusta. Sempre nas noites de quinta a domingo.

“A gente vai lá trocar idéia, encontrar gente que se identifica com o estilo e dar risada. Pouco depois da meia-noite vai todo mundo pra casa”, conta o “from UK” João Pedro de Simone, de 15, conhecido na internet como “Trident”.

Apesar de São Paulo ainda ser a capital com o maior número adeptos do “from UK” já é possível constatar por meio de perfis no Orkut que a modinha dá os primeiros sinais no Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Conheci o ‘UK’ através das páginas de meninas britânicas no Myspace. Adoraria ter nascido no Reino Unido, lá as pessoas aceitam tudo com mais naturalidade”, constata a “from UK” de Blumenau Tamara Torresani, de 16, na internet "Tammy".

“Aqui tenho que ficar dando explicações sobre o meu visual. Acho um pouco chato...”, diz a mocinha.

Não importa a localidade, os “from UK” costumam repetir um mantra comum: “não me encaixo em rótulos”. Traumatizados com a perseguição sofrida no passado emo, asseguram que tudo é questão de atitude. “Não sou apenas ‘from UK’, tenho meu jeito de ser, meus projetos... O ‘UK’ é só uma atitude com a qual me identifico”, diz Lipo, o superstar virtual dos “from UK”.

run to the hills
 
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